Jejuar achega você mais a Deus?

Nos tempos bíblicos, as pessoas jejuavam por vários motivos que tinham a aprovação divina. Alguns jejuavam para mostrar extrema tristeza ou arrependimento de pecados (1 Samuel 7:4-6), para implorar o favor de Deus ou pedir sua orientação (Juízes 20:26-28;Lucas 2:36, 37), ou para aumentar a concentração ao meditar. — Mateus 4:1, 2.

Mas a Bíblia também fala de jejuns que não foram aprovados por Deus. O Rei Saul jejuou antes de consultar uma médium espírita. (Levítico 20:6; 1 Samuel 28:20) Pessoas más, como Jezabel e os fanáticos que planejaram matar o apóstolo Paulo, proclamaram jejuns. (1 Reis 21:7-12; Atos 23:12-14) Os fariseus eram conhecidos por jejuarem regularmente. (Marcos 2:18) Ainda assim, eles foram condenados por Jesus e não agradaram a Deus por jejuar. (Mateus 6:16; Lucas 18:12) Da mesma forma, Jeová não levou em conta os jejuns de certos israelitas por causa da má conduta e da motivação errada deles. — Jeremias 14:12.

Esses exemplos mostram que não é o ato de jejuar em si mesmo que agrada a Deus. No entanto, muitos servos sinceros de Deus que jejuavam tiveram a aprovação dele. Sendo assim, será que os cristãos devem jejuar?

 

A Lei mosaica ordenava que os judeus ‘atribulassem as suas almas’, ou seja, que jejuassem, uma vez por ano no Dia da Expiação. (Levítico 16:29-31; Salmo 35:13) Esse foi o único jejum que Jeová ordenou ao seu povo.* Os judeus que viviam debaixo da Lei mosaica tinham de obedecer a essa ordem. Mas não se exige que os cristãos sigam a Lei mosaica. — Romanos 10:4; Colossenses 2:14.

Apesar de Jesus jejuar como a Lei exigia, ele não era conhecido por essa prática. Ele disse aos seus discípulos como deviam agir caso decidissem jejuar, mas nunca ordenou que fizessem isso. (Mateus 6:16-18; 9:14) Então, por que Jesus disse que seus discípulos jejuariam depois de sua morte? (Mateus 9:15) Isso não foi uma ordem. As palavras de Jesus simplesmente significavam que, quando ele morresse, seus discípulos sofreriam muito e perderiam a vontade de comer.

Dois relatos bíblicos de alguns cristãos do primeiro século, que jejuaram, mostram que se a pessoa decide se abster de alimento com boa motivação, isso é aceitável a Deus. (Atos 13:2, 3; 14:23)* Portanto, os cristãos não são obrigados a jejuar. No entanto, a pessoa que decide fazer isso deve estar atenta a alguns perigos.

A ilustração de Jesus sobre o fariseu orgulhoso, que se sentia moralmente superior aos outros porque sempre jejuava, não deixa dúvidas de que Deus rejeita esse tipo de conduta. — Lucas 18:9-14.

Também seria um erro tornar público que você está jejuando ou jejuar porque outra pessoa lhe disse para fazer isso. De acordo com Mateus 6:16-18, Jesus falou que jejuar devia ser um assunto particular, entre a pessoa e Deus, e que ela não devia falar sobre isso a outros.

A pessoa nunca deve pensar que jejuar é, de alguma forma, uma compensação pelos pecados. Para ser aceitável a Deus, o jejum deve ser acompanhado de obediência às Suas leis. (Isaías 58:3-7) O que leva ao perdão de pecados é o arrependimento de coração, não o ato de jejuar. (Joel 2:12, 13) A Bíblia enfatiza que recebemos o perdão de Jeová por causa de benignidade imerecida expressa por meio do sacrifício de Cristo. É impossível ganhar o perdão por meio de obras, incluindo o jejum. — Romanos 3:24, 27, 28; Gálatas 2:16;Efésios 2:8, 9.

Isaías 58:3 ilustra outro erro comum. Os israelitas deram a entender que Jeová devia algo a eles por causa de seu jejum, como se estivessem fazendo um favor a Deus. Eles perguntaram: “Por que razão jejuamos e tu não o viste, e atribulamos a nossa alma e tu não o notavas?” Da mesma forma hoje, muitas pessoas pensam que, por jejuarem, podem esperar que Deus lhes dê algo em troca. Nunca devemos imitar essa atitude desrespeitosa e antibíblica.

Outros acreditam que podem ganhar algum benefício por se submeter ao desconforto do jejum, surrando o corpo ou algo similar. A Palavra de Deus condena esse tipo de pensamento mostrando que o “tratamento severo do corpo” não é “de valor algum em combater” os desejos errados. — Colossenses 2:20-23.

Um ponto de vista equilibrado

Jejuar não é obrigatório, nem é errado. Ele talvez seja benéfico em algumas circunstâncias, se os perigos já mencionados forem evitados. No entanto, jejuar não é o fator mais importante da adoração aceitável a Deus. Jeová é o “Deus feliz”, e quer que seus servos sejam felizes. (1 Timóteo 1:11) Sua própria Palavra diz: ‘Não há nada melhor do que todo homem coma e beba, e veja o que é bom por todo o seu trabalho árduo. É a dádiva de Deus.’ — Eclesiastes 3:12, 13.

Nossa adoração deve ser caracterizada pela alegria, mas a Bíblia nunca associa o jejum à felicidade. Além disso, se o jejum afetasse nossa saúde ou tirasse nossa energia para o serviço alegre que o nosso Criador confiou aos cristãos verdadeiros, ou seja, declarar as boas novas do Reino, então ele teria o efeito contrário ao desejado.

Independentemente de nossa decisão sobre o jejum, devemos evitar julgar outros. Entre os cristãos, não deveria haver controvérsias sobre esse assunto, “pois o reino de Deus não significa comer e beber, mas significa justiça, e paz, e alegria com espírito santo”. — Romanos 14:17.

 

Fonte: A Sentinela 2009

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