Isaías 6:8 – Um de Nós; Prova a trindade?

“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.” Is 6:8

Os trinitários costumam usar esse texto como outros que já analisamos (Gn 1:26,27; 3:22; 11:7,8), onde ocorre um diálogo entre Jeová e seus servos, eles dizem que se trata de um deus trino falando consigo mesmo por meio da três pessoas da trindade, perguntando quem entre ‘eles’ pode vir a terra e se tornar um homem e realizar algumas tarefas. Onde a segunda pessoa da trindade responde “Eis-me aqui, envia-me a mim”.

Sabemos das Escrituras que diálogos como estes eram comuns entre Deus e seus servos, veja outro caso.

“Micaías prosseguiu: Ouve, pois, a palavra do Senhor! Vi o Senhor assentado no seu trono, e todo o exército celestial em pé junto a ele, à sua direita e à sua esquerda. E o Senhor perguntou: Quem induzirá Acabe a subir, para que caia em Ramot de Guilead? E um respondia de um modo, e outro de outro. Então saiu um espírito, apresentou-se diante do Senhor, e disse: Eu o induzirei. E o Senhor lhe perguntou: De que modo? Respondeu ele: Eu sairei, e serei um espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Ao que disse o Senhor: Tu o induzirás, e prevalecerás; sai, e faz assim. Agora, pois, eis que o Senhor pôs um espírito mentiroso na boca dentes da casa dele; sim, tornarei a tua casa como a casa de respeito de ti.” 1 Rs 22:19-23

Observe que Jeová está tendo um diálogo com seus anjos no céu, de modo que a pergunta que ele faz sugere que a oportunidade está aberta a quem estivesse disposto a aceitar a designação.

Voltando ao texto de Isaías; Deus estar aqui num monologo seria realmente sem sentido, uma vez que nenhum tipo de pergunta poderia Deus fazer a si mesmo, sendo onisciente ele não precisaria fazer buscas introspectivas ou perguntas, pois se a onisciência é um atributo das três ‘pessoas’ da trindade, de fato seria impossível e sem nexo qualquer espécie de comunicação entre elas.  Isso seria o mesmo que você dizer: “Direi a mim mesmo o que acabei de dizer”   Seria algo sem nexo,pois porque comunicaria a você algo que já sabe?

O texto de Isaías 6:8 primariamente se refere a designação de Isaías, o qual teve esta visão das cortes celestiais e o qual diante da oportunidade de estar numa designação direta de Jeová não perdeu tempo e se apresentou para o serviço.

Mesmo que entendamos que este texto se refere a apresentação do filho Jesus perante Deus para vir a Terra voluntariamente, não se pode dogmatizar e forçar a ideia de que na palavra “nós” que é parte do dialogo, não possa estar incluindo os santos anjos e ser apenas uma declaração inclusiva feita pelo Pai.

Interessante é notar que esta pessoa que ouve a voz perguntando quem será enviado, menciona que ouve a voz de Jeová, de modo que se este ouve a voz de Jeová, logo não pode ser ele mesmo Jeová, pois isso seria o mesmo que dizer que estava escutando a sua própria voz e tendo respondido a si mesmo a pergunta que havia feito, de modo que a divindade aqui estava, segundo a visão trinitária, num monólogo sem sentido como já exposto acima.

Certamente esta não é a interpretação correta.

“Não posso fazer nem uma única coisa de minha própria iniciativa; assim como ouço, eu julgo; e o julgamento que faço é justo, porque não procuro a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou”  João 5:30

“Digo-vos em toda a verdade: O escravo não é maior do que o seu amo, nem é o enviado maior do que aquele que o enviou.”  João 13:16

A antítese nas palavras de Jesus são claras.

Não existe margem para qualquer dúvida referente ao que Jesus pretendia ensinar aqui, pois a clareza de sua declaração e nossa fé em suas palavras fazem cessar quaisquer questionamentos.

“Assim como o Pai vivente me enviou e eu vivo por causa do Pai, também aquele que se alimenta de mim, sim, esse viverá por causa de mim.”  João 6:57

Sabemos do próprio Jesus que quem o enviou foi o Pai, o qual é uma personagem distinta.

Notamos do texto de João 6:57 que Jesus afirma categoricamente que ele vive “por causa” [δια] do Pai.

Sabemos que todo efeito tem uma causa, sendo que não existe efeito sem causa, e a causa, necessita de um causador. Assim como os servos de Jesus segundo ele disse, viverão por meio dele, ou seja, por causa dele; assim Jesus vive por causa ou por meio do Pai.

 

Temos aqui então uma declaração de Jesus de que sua vida depende do Pai, de modo que ele é um ser dependente, diferente de Deus Jeová que não depende de nada para viver pois ele é a vida.

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