Poderia Cristo voltar sem ser visto?

Cristo

Fonte da imagem: http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/1102014241?q=religi%C3%A3o%20falsa&p=par#h=5

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem, e todas as tribos da terra então baterão no peito, de pesar, e verão o Filho do Homem vir nas nuvens do céu, com poder e grande glória.” (Mat 24:30)

“Em breve o mundo não me verá mais, contudo vocês me verão, porque eu vivo e vocês viverão.” (João 14:19)

Analisando apenas os textos citados acima, os dois textos parecem se contradizer, pois uma hora é dito que Cristo será visto mas depois é dito que não.

Devem-se entender literalmente todas essas ocorrências de ‘ver’ e ‘observar’? Ou será que poderiam ter um significado mais profundo? A importância dessas perguntas é ilustrada pelo que aconteceu no primeiro século de nossa Era, quando muitos judeus aguardavam seu Messias.

O Messias veio, mas não foi reconhecido

Naquele tempo, a principal pergunta talvez tenha sido: ‘Poderia o Messias, ou Cristo, aparecer sem ser reconhecido?’ É óbvio que ele seria visível como homem, mas seria distinguido pelos judeus como Aquele enviado por Deus?

Como conhecemos bem a história, poucos aceitaram Cristo como o Messias enviado por Deus  para salvar a humanidade. Em sua maioria, os judeus esperavam um homem milagroso que libertaria os judeus dos romanos. Mas não foi isso o que aconteceu. Jesus não era um político revolucionário, antes, promoveu a liberdade espiritual e a pureza religiosa. Que decepção para as ambições nacionalistas daquele povo! Este “Messias” não se ajustava a ideia preconcebida dum salvador para Israel.

Assim, entendemos que devido à falta de visão, a maioria dos judeus perdeu o glorioso privilégio de serem reis com Cristo em seu reino celestial. Seus ideais políticos e patrióticos obscureceram sua visão de bênçãos espirituais que poderiam ter recebido. Desejavam um Messias apenas para a sua geração e para o seu problema específico — a ocupação do país pelos romanos. Deixaram de reconhecer o verdadeiro Messias, apesar de todas as suas credenciais.

Será que acontecendo o mesmo hoje em dia?

É possível que algo similar tenha ocorrido hoje em dia? É possível que milhões de pessoas aguardem erroneamente ver Cristo chegar literalmente nas nuvens?

Para saber a resposta a estas perguntas, veja o aviso que Jesus deu pra seus seguidores: “Então, se alguém lhes disser: ‘Vejam! Aqui está o Cristo! ’ou: ‘Ali! ’, não acreditem. Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e milagres a fim de enganar, se possível, até mesmo os escolhidos. Prestem atenção! Eu os avisei antecipadamente.” (Mat 24:23-25)

Conforme as palavras de Jesus acima, a volta dele não será visível neste ou naquele local geográfico. Portanto, os que afirmam ser o retornado Cristo, ou que o viram “aqui” ou “ali”, estão enganados ou então são fraudes. Sendo assim, a “volta” de Cristo é invisível ao olho humano.

Então do que se tratam os textos que falam da “volta” de Jesus e falam que todo olho o “verá”? A chave para se entender o assunto todo está na pergunta que os discípulos de Jesus Cristo fizeram a ele enquanto observavam Jerusalém e seu templo sentados no Monte das Oliveiras. A pergunta foi: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” (Mat 24:3, Bíblia Almeida Corrigida Revisada e Fiel)

Qual é a tradução correta do texto?

Muitas traduções levam muitos a tirar conclusões erradas quanto ao verdadeiro significado e aplicação da resposta de Jesus aos seus discípulos. Uma coisa é eventos indicarem que alguém está vindo ou voltando, mas é algo inteiramente diferente eventos provarem que a pessoa aguardada já chegou.

Neste versículo, a palavra grega traduzida por “vinda” pela maioria das traduções bíblicas é a palavra “parousía”. E o que ela significa? O Dicionário de Vine declara: “PAROUSIA . . . denota tanto uma chegada como a conseqüente presença”. (Dicionário Expositivo de Palavras do Velho e do Novo Testamento, de Vine; 1981, Vol. 1, pp. 208, 209)

O dicionário Greek-English Lexicon, de Liddell e Scott dá como primeira definição de pa·rou·sí·a “presença, de pessoas”. Diz também que essa palavra muitas vezes é usada para se referir à “visita dum personagem real ou oficial”.

Sendo assim, entendemos que os discípulos de Jesus não perguntaram sobre sua futura “chegada”, mas sobre depois de sua chegada. Eles perguntaram sobre a sua “presença” como rei.

Assim, ao passo que a vinda de uma pessoa (que tem a ver com sua chegada ou seu retorno) ocorre em determinado momento, a presença de tal pessoa pode prolongar-se desse ponto em diante por um período de tempo maior. É como se eles tivessem perguntando: “Jesus, qual será o sinal da tua visita como personagem real?” Uma “visita” inclui mais do que apenas a “chegada”.

Com esse entendimento, algumas traduções bíblicas traduzem esse verso de Mateus acertadamente com a palavra “presença”, como exemplo, a Tradução literal da Bíblia Sagrada de Young, de 1862, a Diaglott Enfática grega-inglesa, de Wilson, de 1857-1863 e A Bíblia Enfatizada de Rotherham, em inglês, de 1897.

Sendo assim, concluímos que a parousia ou “presença’’ do Senhor Jesus Cristo, portanto, é sua presença ou visita como Rei, invisível, em poder régio e glória.

Cristo retornou à terra literalmente?

Não. Voltar ou retornar nem sempre significa que alguém vai a um lugar literal. Por exemplo, usa-se a expressão “voltar ao assunto”, significando tornar a considerar o assunto. Ou, a respeito dum ex-governante, pode-se dizer que “volta ao poder”. De maneira similar, Deus disse a Abraão: “Retornarei a ti no tempo designado, no ano que vem, neste mesmo tempo, e Sara terá um filho.” (Gênesis 18:14, 21:1) O retorno de Jeová significou, não um retorno literal, mas voltar a sua atenção a Sara a fim de fazer o que tinha prometido, no caso, lhe dar um filho.

Do mesmo modo, a volta de Cristo não significa que ele volta literalmente a esta terra. Antes, significa que assume o poder do Reino com relação a esta terra e volta sua atenção para ela. Ele não precisa deixar seu trono celestial e realmente vir à terra para fazer isso.

Agora uma observação importante: Jesus disse em Mateus 24:37-39 que sua presença seria como nos dias de Noé, ou seja, aconteceria eventos que culminariam na sua “vinda” final (Erkomai). Os capítulos 24 e 25 de Mateus dizem em sentido diferente que Jesus ‘vem’.

Assim, em 1914 ele veio (parousia) para iniciar a sua presença como Rei entronizado. Já no Armagedom, ele virá (Erkomai) para executar o julgamento sobre os inimigos de Jeová.  Em Mateus 24:30, onde se fala de o “Filho do homem vir nas nuvens do céu, com poder e grande glória”, na qualidade de executor nomeado por Jeová na guerra do Armagedom, emprega-se a palavra grega “er·khó·me·non”, diferente da palavra “parousia” em Mateus 24:3.

Alguns tradutores usam ‘vinda’ para ambas as palavras gregas, mas os que são mais cuidadosos transmitem a diferença de sentido entre as duas. A vinda (ou chegada) mencionada várias vezes em Mateus 24:29-44 e 25:31-46 se dará na “grande tribulação”. (Apocalipse 7:14)

 Então como Jesus é visto ou observado?

Já que a presença de Cristo é invisível aos olhos humanos, precisava-se dum “sinal”, para que as pessoas na terra pudessem discernir esta presença invisível de Jesus. Esse sinal nos é dado no decorrer da leitura de todo os capítulos 24 e 25 de Mateus, como por exemplo, “guerras, fome, terremotos e falta de amor”. Assim, com esses sinais, seria possível “ver” Jesus voltando.

Em breve Cristo virá como executor do julgamento de Deus contra as pessoas que não querem fazer a vontade de Deus. Quando isso acontecer “todo olho o verá” (Apoc 1:7) no sentido de que as pessoas discernirão à base dos eventos na terra que ele está presente invisivelmente para fazer esse julgamento.

Após a “volta” de Cristo, algumas pessoas mostram fé e reconhecem o sinal de sua presença invisível. Outras rejeitam a evidência, mas, quando Cristo entrar em ação, qual executor nomeado por Deus, para exterminar os iníquos, mesmo estes discernirão pela manifestação de seu poder que a destruição não procede dos homens, mas de Deus. Saberão o que está acontecendo, porque foram avisados com antecedência.

Portanto, a questão agora é: Que atitude tomará para com a presença invisível de Cristo?

Fontes:

Pe 17; W82 1/8 pgs 4-8; w04 1/3 quadro pág 16; rs 433-437

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